No Budismo considera-se “espirito faminto” aquele que está na vida sempre á procura de algo, que está preso pela insatisfação. Do ponto de vista nutricional e face aos comportamentos e hábitos alimentares adoptados pela população projecta-se aos alimentos os responsáveis pela felicidade. É verdade que a escolha de um restaurante é sempre tendo em conta as especialidades servidas, mas no fundo, a verdadeira felicidade passa pela companhia que temos nesta refeição, até porque se formos ao mesmo restaurante sozinhos, a comida não tem o mesmo sabor… É frequente atribuir ao stress, á ansiedade, á carência afectiva, aos problemas no trabalho, entre outros, a responsabilidade / desculpa por consumir alimentos ou refeições hipercalóricas, ou a privação alimentar. A felicidade tem de ser encontrada dentro de cada individuo. A alimentação e a nutrição têm de ser vistas como a chave para o nosso corpo ser mais saudável, estar desintoxicado e desinflamado, não promover o aparecimento de doenças e ser mais leve em termos energéticos. A publicidade cria uma ilusão de que ao consumir aquele alimento ou bebida vai acontecer aquele cenário de felicidade; ou por outro lado, o consumo de certos alimentos é uma procura inconsciente do sentimento vivido num passado, na maioria dos casos, numa determinada refeição que se fazia na infância. A nossa sociedade empurra-nos para consumos sem qualquer ligação real com as nossas necessidades nutricionais, e arrisca-se a vida por algo que nos controla em vez de sermos nós a tomar rédeas da nossa saúde, o que é tão disfuncional para a espécie humana. No fundo o que realmente importa é que sejamos felizes, que a nutrição da alma seja na construção do nosso EU interior, que se trabalhe no crescimento pessoal e emocional, para estejamos bem com o nosso corpo físico e para que possamos dominar os estímulos alimentares externos, em prol da nossa saúde. Nas minhas consultas cada vez mais esta abordagem holística é aceite e reconhecida com uma ferramenta fundamental para a adopção de novos hábitos alimentares e compreensão dos comportamentos alimentares mais saudáveis. Sempre que se sentir tentado a consumir alimentos nutricionalmente pobres, pergunte-se se o consumo alimentar lhe vai trazer alguma felicidade!

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